Trabalhava na área de Relações Públicas, o que a obrigava a lidar com pessoas...
Pensava ter um distúrbio, fazia a leitura das pessoas através de cores. A sua percepção das pessoas, era feita sempre por cores!
Começou a estudar neurociência, para tentar perceber este "distúrbio". Porque é que o seu sistema nervoso se estruturava em relação às pessoas através da paleta de cores.
No seu sistema, havia toda uma paleta para as pessoas arrogantes, infelizes, mal educadas, com falta de vida, que se iniciava no preto puro e ia fazendo um degrade até ao cinzento muito muito claro. Era a partir daqui que começava a tolerar as pessoas...deste cinzento muito muito claro.
Daqui, ia da tolerância ao amor genuíno numa infinita paleta de cores fortes, cores suaves, cores neutras.
Passou anos a tentar entender...
Um dia largou as Relações Públicas e tornou-se pintora de pessoas a cores. Aí entendeu!
Certa vez, fez o seu auto-retrato e pintou-o com as cores do Arco Iris.
Quando lhe perguntaram porquê, olhou para ele (que estava a assistir), sentiu a cor vermelha, sorriu e disse:
"Porque estou apaixonada!"
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quinta-feira, 30 de novembro de 2017
sábado, 18 de novembro de 2017
#7_Uma especie de conto...
Tinha 18 anos e não sabia o que escolher...estava na altura
de ir para Universidade. Gostava de História e de Ciências.
Duas áreas tão diferentes...
Um dia, à noite numa saída com os amigos...fez-se luz!
Foi para casa, pesquisou na internet uma Cidade que formasse
o triângulo de tudo o que gostava: Mar, Ciência e História.
Encontrou Valência, virada para o Mediterrâneo, com história
e com uma Cidade e virada para o futuro!
Falou com os pais, agarrou nalgumas poupanças que tinha e
foi para estar cerca de 8 dia em Valência...a visitar, a perceber...o que
realmente queria fazer o resto da sua vida.
Visitou tudo o que havia para visitar:
A Cidade Velha, cheia de História, cheia de apontamentos
árabes e romanos...A Catedral, o Mercado, o Museu da Cerâmica e todas aquelas
ruas carregadas daquele tempo antes de Cristo. Foi saber como eram feitas as
trocas comerciais Árabes e porque é que alguns monumentos tinham algum estilo
gótico...
Andou alguns dias a ver o Planetário, o Museu da Ciência, o
Oceanário a deambular naquela Cidade
futurista desenhada por Santiago Calatrava. Aquela era a também uma obra de
Ciência.
A Cidade das Artes e Ciências foi construída em cima do Rio Túria, que
estava sempre inundado. Só a Ciência permitia uma engenharia destas.
Num destes dias, foi almoçar calmamente à Marina de
Valência. Estava na Esplanada a observar os barcos, os cruzeiros, as crianças a
fazer vela...
...mais uma vez se fez luz!!!
Naquele momento, ia viver o presente.
Foi inscrever-se como empregado num Cruzeiro.
Andou mais de um ano em Cruzeiros.
Lembra-se do primeiro e até do segundo...mas já não consegue precisar os restantes.
No seu primeiro saiu de Valência e fez um circuito em
espécie de triângulo: Marselha, Génova, Roma, Palermo, Cagliari,
Palma e voltou a Valência.
No segundo, decidiu inscrever-se para ir mais a Sul e em recta
linha: partiu, mais uma vez de Valência, Gibraltar, Tenerife, Salvador, Santos e
voltou novamente a Valência.
E assim andou um ano...sempre em recta, aos quadrados e aos
triângulos, em cruzeiros.
Quando voltou, tinha muita a certeza do que queria seguir: Biologia
Molecular.
Hoje estava ali, a receber o seu Prémio Nobel de Medicina,
pela sua descoberta revolucionária.
Não esqueceu a História, daqueles tempos antes de Cristo e
até após. Estudar e visitar História era o seu melhor passatempo.
Mas escolheu fazer parte da História do seu tempo.
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
#6_Uma especie de conto...
Foi de visita a casa de uma amiga que não via há mais de 30
anos.
A casa era lindíssima, a amiga super bem disposta e passados
30 anos, conversaram como duas miúdas, a relembrar os tempos da juventude.
Teve de ir embora. Não parava de pensar porque raio é que a
amiga tinha uma parede cheia de molduras vazias...
...havia pela casa imensas molduras com fotos, mas aquela
parede cheia de molduras vazias intrigava-a.
Talvez fosse alguma tendência de decoração que desconhecia!
Passados alguns meses, voltou a casa da amiga e mais uma
vez...aqueles momentos foram mesmo agradáveis.
Às tantas e porque não conseguia deixar de olhar para a
parede cheia de molduras vazias, não se conteve e perguntou porquê.
“Aquela parede, era a parede da nossa vida a dois, estava
cheia de fotos nas molduras dos nossos momentos...contava a nossa história.
Um
dia, começou a instalar-se o vazio entre nós e quando já não aguentei mais,
esvaziei as molduras (já não suportava olhar para as fotos de algo que já não
existia).
Quando ele entrou em casa e olhou para a parede...percebeu...fez
as malas e foi-se embora!”
terça-feira, 7 de novembro de 2017
#5_Uma especie de conto...
Estava a tentar “meter o Rossio na Rua da Betesga”...
...até lhe faltava o ar de pensar em tal empreendimento!!!
Ia a guiar e a cabeça não parava de arranjar estratégias...no
meio ia-se lembrando de conversas que tinha tido e ouvido...
”faz-se tudo à pressa”
“cumprimos calendários”
”já não tenho paixão pelo que faço”
“sinto que ando sempre a correr”...
”temos de encontrar o nosso IKIGAI ( a nossa paixão, o nosso
motivo para viver)”
E continuava a guiar, a sentir ansiedade...como
conseguiria...”meter o Rossio na Rua da Betesga”????
Ia numa Estrada Nacional e olhou para o lado esquerdo e viu
um pastor calmamente com as suas ovelhas, mais à frente, viu no horizonte um
castelo na sua calmaria de histórico, de “reformado”...onde há tempos já tinha
havido muita vida e agora tudo era calma.
Mais à frente, havia uma aldeia.
Parou, deu meia volta e foi calmamente até Lisboa.
Estacionou e foi até à Praça da Figueira.
Estava Sol e a Praça cheia de vida...
Meteu pela mais pequena Rua de Lisboa – a Rua da Betesga...
e foi para o Rossio...
...Decidiu deixá-lo quieto, como estava, cheio de vida e
sol...
...fartou-se de rir sozinha e acabou por definir as suas
prioridades e desistir de tal empreendimento!!!
Relaxou, pediu um copo de vinho tinto e ficou por ali a
disfrutar do sol e da vida do Rossio!
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
#4_Uma especie de conto...
O quadro de Golias
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Estava no Louvre em Paris, e quando viu o quadro Golias,
sentiu-se esmagada...
...tão esmagada, que saiu dali a correr e foi sentar-se na
cafetaria do Museu, a olhar, a ver as pessoas, a tentar perceber porque estava
tão “esmagada”!
Paris remeti-a para tempos felizes em que não era tudo
perfeito, mas mesmo assim, tudo equilibrado!
Agora, ela estava ali, noutro contexto e noutro
enquadramento e “esmagada”...
...tinha sido o resultado de muitas coisas, mas
principalmente...do cansaço.
Chegou a uma
altura da vida, que estava cansada...tal como Álvaro Campos poetizou, “...nem
sequer
de tudo ou de nada”!!!!
Pensou que
poderia ser a mudança de idade, o cansaço físico, as circunstâncias...
E ali, ficou
a olhar para nada, na cafetaria do Museu...
Continuava a
sentir-se “esmagada” e de repente, uma pessoa pediu licença para se
sentar...
”desculpe, é que preciso mesmo de descansar um pouco e não há mais
lugares vagos.
A menina
está com um ar cansado. Está triste? Não esteja!! Tudo passa! Olhe eu, tenho 80
anos, já
vivi uma Guerra Mundial, já amei uma pessoa que já cá não está, já criei
5 filhos que foram à vida
deles, já perdi muito amigos e dinheiro em parvoíces.
Agora vivo na era da globalização, metade da
linguagem hoje usada não a
entendo, vivo na era do terrorismo e da desumanização...
...mas ainda tenho o
Louvre para visitar sempre que quero e obras e livros que me fazem voltar à
humanidade
e me fazem ter sensações!
Está a ver, menina, não esteja triste, não esteja com
esse ar, que tudo passa, mas o Louvre e as suas
sensações, essas, ficam para sempre!”
Ela gostou
que ele a tivesse tratado por menina...ela teria menos de 5 ou 6 anos que ele,
e mesmo
assim ele tratou-a por menina. Sorriu.
“Obrigada,
posso convidá-lo para beber mais um chá comigo?”
Passadas
largas horas e muita conversa, o guia da excursão dela apareceu para avisar que
iam embora
para o Hotel.
“Vão andando,
eu depois vou lá ter. Este Senhor convidou-me para jantar e depois leva-me ao
Hotel”.
Respondeu com um sorriso e com uma leveza que há muitos anos não
sentia!!!
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
#3_Uma especie de conto...
Um final feliz para uma gata sem um olho
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Vivia numa casa, mais por imposição, do que por vontade dele.
Ele vivia ao contrário.
Quando todos estavam a dormir, ele trabalhava. Quando acordavam, ele esta a dormir. À tarde, quando andavam na sua vida, ele ia para o Mar com a sua prancha e pagaia.
Durante meses, antes de ir trabalhar, sentava-se com a gata nos degraus da sua casa, e ali ficava a ver as pessoas a passar...
A gata desesperava-se...nunca conseguia uma festa e não percebia porque todos os dias tinha de estar ali sentada quieta...
Segui-o um dia à noite até casa, ainda muito pequena. E ele, no seu amorfismo, abriu-lhe a porta e nestes meses todos, o único momento juntos era aquele em que se sentavam nos degraus da casa, a ver as pessoas a passar.
Um dia, sentados nos degraus da casa, passou uma menina e meteu-se com a gata.
"Tão gira, posso dar-lhe festas, é sua?"
"Não, anda para aí abandonada", foi a resposta dele.
E a menina pegou na gata e levou-a, sempre a dar-lhe festas.
Ele ficou ali nos degraus e a gata ainda conseguiu ver do único olho que tinha, uma espécie de sorriso na sua cara!
No dia a seguir, foi, como sempre, para o Mar com a sua prancha a pagaia...e demorou-se por lá...
Já não tinha de ir para os degraus da sua casa, ver as pessoas a passar!!!!
Imagem retirada da internet.
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Vivia numa casa, mais por imposição, do que por vontade dele.
Ele vivia ao contrário.
Quando todos estavam a dormir, ele trabalhava. Quando acordavam, ele esta a dormir. À tarde, quando andavam na sua vida, ele ia para o Mar com a sua prancha e pagaia.
Durante meses, antes de ir trabalhar, sentava-se com a gata nos degraus da sua casa, e ali ficava a ver as pessoas a passar...
A gata desesperava-se...nunca conseguia uma festa e não percebia porque todos os dias tinha de estar ali sentada quieta...
Segui-o um dia à noite até casa, ainda muito pequena. E ele, no seu amorfismo, abriu-lhe a porta e nestes meses todos, o único momento juntos era aquele em que se sentavam nos degraus da casa, a ver as pessoas a passar.
Um dia, sentados nos degraus da casa, passou uma menina e meteu-se com a gata.
"Tão gira, posso dar-lhe festas, é sua?"
"Não, anda para aí abandonada", foi a resposta dele.
E a menina pegou na gata e levou-a, sempre a dar-lhe festas.
Ele ficou ali nos degraus e a gata ainda conseguiu ver do único olho que tinha, uma espécie de sorriso na sua cara!
No dia a seguir, foi, como sempre, para o Mar com a sua prancha a pagaia...e demorou-se por lá...
Já não tinha de ir para os degraus da sua casa, ver as pessoas a passar!!!!
Imagem retirada da internet.
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
#2_Uma especie de micro conto
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Viu um vídeo a alertar que, mais de metade da vida iria
passar a trabalhar e à espera que chegasse Sexta-Feira!
Era assim a sua vida...passava a semana a correr, entre
trabalho, ginásio e um ou outro passatempo à espera que chegasse a Sexta-Feira!
O fim-de- semana era dividido entre visitas a família e
saída com amigos.
E começava logo outra semana, à espera que chegasse a
Sexta-Feira!!!
Viu o vídeo e começou a pensar porque estava sempre à espera
de Sexta-Feira!!!
Gostava do seu trabalho, e acima de tudo, a forma como o
valorizavam...ia ao ginásio e tinha saúde...tinha hobbies, amigos e com isto
tudo uma vida preenchida...
...não tinha ainda, porque ainda não se tinha proporcionado...uma pessoa e filhos para aguardar
consigo a tão esperada Sexta-Feira! Mas também ainda não era tarde...
...deu por si, a ir com a corrente, a aguardar sempre pela
Sexta-Feira, sem saber bem porquê...
...deu por si, meio confuso, a pensar porque o faria...
...por nada, e talvez por tudo...tudo e todos que o rodeiam e
meio alienados passam a vida a sonhar com a Sexta-Feira!
E enquanto sonham com a chegada da Sexta-Feira, não vivem a
Segunda, a Terça, a Quarta, nem a Quinta Feira....
...decidiu não ir com a corrente e deixou de sonhar com a
Sexta-Feira, no fundo não tinha qualquer motivo para tal...
Numa Terça-Feira iniciou a viagem da sua vida...
...numa Quinta Feira
encontrou aquela pessoa...
...casou a um Sábado e teve o primeiro filho a uma quarta-feira!!!!
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
#1_Uma espécie de micro conto...
Hoje, duas pessoas no trabalho brincavam com o meu gosto pela escrita e falavam uma com a outra de que eu deveria juntar o útil ao agradável...escrever um romance no cenário de uma Pedreira...
...mais tarde, enquanto estava a espera de algo, saíu-me isto...que desde já dedico aos meus colegas NS e CC...
Ei-lo:
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...mais tarde, enquanto estava a espera de algo, saíu-me isto...que desde já dedico aos meus colegas NS e CC...
Ei-lo:
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Todos os dias ele vinha bronzeado e feliz...
Ela não entendia tanta felicidade, principalmente ao vir do
trabalho.
Todos os dias, com frio ou calor, ele estava no meio de
cores suaves que lhe transmitiam paz...
Todos os dias, estava no meio de barulhos que poderiam ser
infernais...mas não aos ouvidos dele...
Todos os dias, descobria mais uma coisa sobre a Terra...mais
um veio, mais uma cor, mais um fóssil...
Todos os dias, ele descobria mais uma posição do Sol e cada
um dos seus raios.
Todos os dias, sabia que o seu trabalho era considerado sujo...mas
não para ele...
E ela não entendia, como ele vinha sempre tão bronzeado e
feliz...
Ela nunca poderia entender...e por isso...ele continuou a
vir todos os dias bronzeado e feliz, mas não ao encontro dela...
FIM
Foto: www.solancis.com
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